Olá, galerinha! Demoramos um pouco para atualizar o blog por conta da internet muito fraquinha que tínhamos no Marrocos. Antes de escrever o post sobre o que fizemos no país, achamos legal compartilhar essas 10 importantes dicas abaixo.

E em breve divulgaremos como foram nossos dias lá, ok?

Brigadão e um monte de beijos e abraços.

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10 dicas sobre o Marrocos:

1. A capital desse país que fica a noroeste da África é Rabat, e não Marrakesh como muitos pensam. Mas a maior e mais importante cidade, economicamente falando, é Casablanca.

2. O idioma oficial é a variação marroquina do árabe e a segunda língua falada no país e ensinada nas escolas é o francês, além de muitas pessoas também falarem o espanhol. Tudo isso é fruto da colonização. Mas por tratar-se de um país muito voltado ao turismo, em todo lugar fala-se também o inglês. É simpático da nossa parte sempre cumprimentar as pessoas com o clássico Salaam Aleikum, que é uma forma cordial de dizer “Que a paz esteja sobre vós”. Como resposta, você ouvirá o Alaikum As-Salaam (“E sobre vós a paz também”). Assim que você cumprimenta as pessoas dessa forma, um sorriso já se abre e você demonstra o respeito pela cultura deles e por quem professa a fé islâmica. A outra palavra fácil para nós brasileiros é o Shukram (“Obrigado”).

3. A moeda é o Dihram (pronuncia-se: dirrã), mas muitos restaurantes, hotéis e lojas aceitam o Euro como pagamento, além dos cartões de crédito. Em junho de 2015, a cotação que pagamos foi 1 Euro = 10,70 dirham. Ou seja, 1 real vale aproximadamente 3,10 dirham.

4. O Marrocos é uma monarquia constitucional, com um parlamento eleito democraticamente. Mas o rei também comanda o país. Aliás, em todo lugar público há uma grande foto dele. Chama-se Mohammed VI, filho do Rei Hassan II, falecido em 1999.

5. O Ramadã: chegamos ao Marrocos no início do Ramadã, no dia 23 de junho. Em 2015, o calendário é de 18 de junho a 17 de julho. Para quem não sabe, o Ramadã é o nono mês do calendário islâmico, um mês sagrado para o Islã. É quando os muçulmanos fazem o ritual do jejum (Saum), que vai do nascer ao pôr do sol. É o período da renovação da fé e dos valores familiares.

E como foi ver isso de perto?

Tudo é bem diferente para nós e foi realmente marcante ter vivido esta experiência. Mas o que os muçulmanos não podem fazer durante o jejum? Não é permitido comer, beber, fumar, fazer sexo (e nem pensar nisso), durante 30 dias seguidos. Nem água pode, viu? Não precisam jejuar: doentes, grávidas ou lactantes, idosos e crianças. É obrigatório para quem chega à puberdade. Caso quebre o jejum inadequadamente o muçulmano é obrigado a jejuar por 60 dias seguidos ou alimentar 60 pessoas pobres.

Na prática foi assim: o dia inteiro, até por conta do calor, não víamos muitas pessoas na rua. Grande parte da população ficava descansando em suas casas e praticando as 5 orações diárias (Salat). Essas orações têm horários definidos e na hora exata delas todos os alto-falantes espalhados pela cidade começam a ecoar as rezas. Ouve-se em cada canto das cidades. É impressionante!

Antes do sol nascer, todo mundo realiza a sua primeira refeição, o seu “café da manhã” (Su-Hoor). Isso acontecia por volta de 2h30 da madrugada. Depois das 3h da manhã, todos começavam a jejuar e só voltavam a comer ou beber água após o pôr do sol, que era por volta de 19h30/20h00. Esse era o momento da refeição chamada Iftar, em que eles reuniam-se com suas famílias ou amigos para celebrar a fé e a alegria do povo muçulmano.

Foi incrível ver as cidades vazias, sem ninguém nas ruas por volta de 19h30 e depois ver tudo cheio e as pessoas felizes à meia-noite, com praças e parques lotados. Eram dois momentos diferentes, dentro de cada cidade que visitamos.

Como respeito a isso, evitávamos andar de mãos dadas nas ruas (beijo nem pensar hein!) e também, sempre que pudemos, não comíamos na frente deles. Como turistas, isso não é obrigatório. Mas é sempre bom manter o respeito diante de outra cultura e outros costumes. E nem doeu!

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6. Cidades a visitar: a gente passou por Marrakesh, Casablanca, Fés e Tânger. Cada uma tem o seu estilo. Marrakesh é mais “turistona” e excêntrica, Casablanca é uma cidade grande, sem o toque marroquinho, digamos assim. Fés é uma mistura das duas, mas com mais graça. O problema foi o calor de mais de 40 graus que pegamos lá. Tânger só dormimos 1 noite para pegar o Ferry Boat que vai para a Espanha, mas nos pareceu uma cidade portuária cheia de novas obras, toda em construção e com muitos hotéis e edifícios bem bacanas.

2015-06-28 16.19.397. Transporte: percorremos todas essas cidades com o super eficiente sistema ferroviário do país. Viajamos nos trens da ONCF, empresa ferroviária marroquina e achamos tudo excelente. Até porque compramos sempre os bilhetes de primeira classe, que oferecia assentos com mais espaço e ar-condicionado. Com as temperaturas que pegamos, ar-condicionado era necessário mesmo. Até porque a diferença de preços nem era tão alta. Para comprar os bilhetes, basta ir na bilheteria das estações ou comprar diretamente nas maquininhas, também localizadas nas estações. Super fácil! Pela internet, infelizmente, só é possível comprar online no site da ONCF quem tem cartão de crédito emitido no Marrocos. Pelo até agora (junho/2015). Mas é possível verificar os horários no site. Ah, os trens são muitíssimo pontuais. Então esteja na hora certa na estação, já na saída indicada pelo painel e depois é só procurar o seu vagão e o seu assento, já marcados no bilhete. Mole, mole. Na primeira classe as cabines tinham 6 assentos. Na segunda classe eram 8 assentos e sem ar-condicionado. Normalmente é apenas 1 vagão de primeira classe. IMG_4397Quanto às bagagens, basta colocá-las nos compartimentos específicos acima dos próprios assentos. No mais, saiba a hora de saída mas também a hora de chegada. Isso é para que você tenha noção quando estiver próximo de descer, pois os trens param nas estações e ficam apenas uns 2 a 3 minutos parados, quando não são as estações finais. E de todos os trens que pegamos, somente um tinha sistema de som indicando a estação de parada. É bom ficar atento às placas que mostram as paradas quando o trem se aproxima delas para saber se é a sua.

IMG_43262015-06-28 12.41.48CUIDADO: atenção total aos “pega-turistas” que entram nos trens. Pelo que percebemos são homens que pagam baratinho um bilhete entre uma estação e outra, e foram indicados por quem passou pela cabine e percebeu a presença de turistas. É aquela velha malandragem. Eles entram nas cabines e começam todo aquele papo querendo ser seus melhores amigos. Aí de repente começam uma conversinha fiada sobre o tour que podem indicar ou que têm um parente que pode buscar na estação assim que chegarmos. Aconteceu 2 vezes com a gente. Quando eles perceberam que nem demos bola, saíram rapidinho na estação seguinte. Ou seja, tente não dar papo para essa galera e desconfie quando começarem a conversar com você dentro do trem. O pessoal de um hotel que ficamos disse que rola direto de turistas caírem nessa armadilha e se darem mal. Vimos também policiais retirando pessoas que estavam no trem sem bilhetes. Há fiscais que passam nas cabines e pedem os bilhetes para conferência durante a viagem. Guarde sempre com você o bilhete e mostre ao fiscal da ONCF assim que ele passar. Caso o trem esteja vazio, você pode levantar e mudar de lugar dentro do mesmo vagão. Não se preocupe.

8. Internet e temperatura: tem internet em vários restaurantes, cafeterias e dentro dos hotéis ou Riad’s (casas de família que transformaram-se em hotéis tradicionais dentro das Medinas). Mas normalmente a velocidade é fraca. Pelo menos com a gente foi sempre assim, por melhor que fosse o lugar. Sem contar que alguns sites, principalmente os de notícias do Brasil, são bloqueados e não conseguimos acessar em nenhuma cidade marroquina (exemplo: g1.com). Quanto ao clima e tempo, chegamos num calorão daqueles (junho/2015), com todos os dias na casa dos 38ºC a 40ºC. Pense num calor! Então, filtro solar e muita água são obrigatórios. Dentro das Medinas é possível andar na sombra, mas tudo vira uma grande sauna. Hidratação é mais importante que tudo. E um repelente para evitar qualquer ação dos insetos também é indicado.

IMG_40559. Alimentação, higiene e trânsito: comer no Marrocos foi muito bom e, de certa forma, barato. Mas é preciso tomar alguns cuidados, como comprar somente garrafas lacradas de água, não pedir gelo no copo para a sua bebida, lavar muito bem as frutas ou verduras compradas na rua. O básico que fazemos praticamente em todo lugar, né? O Cuscuz e o Tajine (legumes cozidos + carne ou frango) são tradicionais no Marrocos. Assim como o Chá de Menta, que oferecem em todo lugar e é muito bom. Tem também os sucos de laranja que são muito saborosos e feitos ali na hora nas carrocinhas de rua. Aproveite a sua viagem para experimentar um pouco de tudo, porém com uma dose de cuidado sempre. Nas ruas, em certos lugares, é possível ver muita sujeira, esgoto a céu aberto e moscas nas barracas dos mercados (souks). São cheiros e sensações bem diferentes que fazem do país uma experiência única. O trânsito em Marrakesh é caótico, com carros disputando espaço com centenas de motos/mobiletes, bicicletas, mulas, burros e pedestres. Em Casablanca, Fés e Tânger, achamos mais tranquilo. Mas é buzina que não acaba mais em todo lugar.

IMG_4153 IMG_414710. Como se localizar e ficar esperto nas cidades: é sempre bom pedir um mapa da cidade. Seja no aeroporto, na estação de trem ou no próprio hotel. Ande com ele porque pode ser útil. Em Marrakesh e Fés optamos por nos hospedarmos dentro da Medina, a cidade muralhada (cidade antiga). Mas tudo parece um grande labirinto. Fique atento para não se perder ou use também o Google Maps do seu smartphone. Funcionou bem com a gente. Mas como só tínhamos acesso à internet em locais com WiFi, a gente fazia o trajeto para determinado lugar antes de sair do hotel e depois seguia a “bolinha azul” do Google para achar o caminho de volta. Mas sempre prestávamos atenção a tudo: placas e barracas. O certo é que há momentos em que se perder faz parte. Vai acontecer! Fique tranquilo e apenas pergunte para alguém nas ruas. Se a coisa apertar para valer, tem um monte de garotos só esperando um turista perdido para dar informações ou te levar até o lugar certo. Só lembre que eles sempre esperam uma gorjetinha por isso. Portanto, ande sempre com moedas porque isso ajuda bastante. Ah, tem uma dica super importante: na hora de pegar táxi, negocie sempre antes o valor. Pergunte quanto é e BARGANHE. Faz parte do jogo e sempre rola uma diminuição do valor original. Isso vale também para as lojas e barraquinhas dos souks. Fique ligado em Marrakesh, principalmente, porque chega gente de repente do seu lado querendo fazer uma tatuagem de rena, querendo jogar um macaco no seu ombro, querendo te levar para ver os encantadores de serpente. É tudo pegadinha para cobrar uma graninha sua. Então, a dica é ir andando pelas beiradas e observar bem o movimento desse pessoal que fica mais ao centro da Praça Jemaa El-Fnaa. Tudo para que você passe longe, caso prefira isso lógico. O impacto é muito maior no primeiro dia. Depois de alguns dias a gente se acostuma com tudo isso e entra no jogo.

Eu (Cristiano) posso dizer que adorei a experiência e aprendi um montão com tudo no Marrocos. Já a Luísa não gostou muito e não via a hora de chegar na Espanha hehehehe. Normal. Cada um é que cada qual, certo?

Shukram, pessoal!