Olá, amigos Locomotivantes! :)))))

Pois é, pegar o voo em Lisboa e chegar ao Marrocos direto por Marrakesh foi uma experiência e tanto. De tudo um pouco: encantamento, estranhamento, medo, tensão, desconforto. Tudo misturado num baita turbilhão de sensações.

2015-06-30 22.30.00Realmente, pra quem ainda não conhecia um país tão diferente, com a sua forte cultura muçulmana, os primeiros momentos são uma porrada mesmo. O primeiro dia, aliás, foi bem maluco. Em um total de 5 dias (4 noites).

Começou com um atraso do motorista do transfer para nos buscar no aeroporto. Na verdade, o nosso voo adiantou uns 30 minutos e ele chegou uns 5 minutos depois do horário previamente marcado. Até aí tudo bem. Saímos do aeroporto naquele calor lascado, doidos por um ar-condicionado. Ufa! Entramos no carro do nosso amigo Sahid.

2015-06-30 22.33.57Para quem nunca foi a Marrakesh, indico muito fechar o transfer com o hotel antecipadamente (média de 20 euros/casal). Isso porque é uma coisa de louco o que vemos nas ruas. Bicicletas disputando espaço com carroças, cavalos, mulas e burros, centenas de motos, mobiletes e scooters, carros buzinando, gente gritando. O caos. E também porque eles te levam até o hotel. Sozinho é muito, mas muito difícil de chegar, por conta das várias ruelas da cidade em que carros não passam.

A gente escolheu ficar dentro da Medina, que é a parte antiga/histórica, com uma muralha que demarca a cidade. Dentro da Medina de Marrakesh são milhares de ruelas que formam um grande labirinto, mas que após alguns dias é possível pegar “armanha”.

E dentro da Medina ficamos em um Riad. Riad’s são casas ou palacetes de famílias marroquinas que aos poucos foram transformadas em hotéis e restaurantes por razões culturais ou turísticas. Achamos bem mais interessante ficar num Riad do que em hotéis “normais” da parte moderna da cidade. Assim pudemos sentir de fato a cidade. E como sentimos.

Na primeira caminhada, aquela pra reconhecer o território, já demos de cara com a Praça Jemaa el-Fnaa, a referência de Marrakesh. Olhei para o lado e a Luísa estava com os olhos arregalados de preocupação. Com aquela carinha de “O que eu tô fazendo aqui?”. Ao fundo o som característico das flautas dos encantadores de serpente. E eu ali, paralisado, achando tudo incrível. Parecia que estávamos dentro de um filme do Indiana Jones :)))))

Aí veio um homem gritando querendo jogar um macaco nas nossas cabeças e bem no pé do outro ouvido uma mulher querendo fazer tatuagem de rena na mão da Luísa. Mais pra frente 3 homens nos cercando para comer na barraquinha deles. Outro gritando pra gente experimentar o suco de laranja. EEEEEEITCHA! E tudo isso no meio do Ramadã. No post anterior falei um pouco sobre ele. Mas só vivendo de perto para entender mesmo.

É, chegamos pra valer em Marrakesh.

2015-06-24 19.09.47Comemos um Cuscuz com Frango na própria Jemma el-Fnaa e voltamos para o Riad, o nosso pequeno refúgio. Nos dias seguintes, com mapa impresso em mãos, Google Maps do celular ligado e já com um monte de dicas de amigos e outros blogs, saímos para rodar pela cidade. Tudo debaixo de um “soléu” daqueles e 42ºC de arrepiar.

Dica importante: sempre antes de pegar o táxi vermelhinho negocie o valor da corrida. Barganhe e faça uma proposta pelo valor.

O que visitamos em Marrakesh

2015-06-30 22.31.591. Tumbas Saadianas: mausoléu do século 16, em que está enterrado o sultão da dinastia Saadi, Muley Ahmed Al Mansaour e toda a sua família. Os detalhes da construção em mármore, madeira e mosaicos embelezam o que na verdade é um “cemitério”. Uns 30 minutos são suficientes para essa visita. Entrada: 10 dirhams por pessoa.

2015-06-30 22.42.022. Palácio El Badi: foi construído pelo sultão Ahmed al-Mansur pouco depois de ter subido ao trono em 1578, para comemorar a sua vitória na Batalha de Alcáter-Quibir. É um espaço com muros bem altos, além dos jardins recheados de laranjeiras e com grandes “piscinas”. Dentro dele também é possível visitar o Museu da Fotografia, que expõe obras de artistas marroquinos. Aberto diariamente de 8h às 17h. Entrada: 20 dirhams por pessoa.

3. Palácio Bahia: um palácio com um belo conjunto de jardins, considerado um dos  mais bonitos de Marrocos. Só é possível visitar 1/3 do palácio, porque o restante é propriedade privada da família real. Abre de segunda a quinta, sábados e domingos – 8h30-11h45 e 14h30-17h45. Às sextas-feiras – 8h30-11h30 e 15h-17h45.
Entrada: 10 dirhams por pessoa.

2015-06-30 22.49.524. Medersa/Madrasa Ben Youssef: foi uma escola islâmica, umas das maiores do Marrocos, com capacidade para 900 estudantes. Um lugar muito bonito, com várias salas e locais que rendem boas fotos. Construída em 1570 e desativada em 1960. Somente em 1982 voltou a abrir suas portas para visitação. Aberta diariamente de 9h às 18h. Entrada: 10 dirhams por pessoa.

2015-06-30 22.46.025. Jardim Majorelle: um belíssimo jardim botânico, fundado em 1931 pelo pintor francês Jacques Majorelle. Foi comprado por Yves Saint Laurent e Pierre Bergé em 1980 e atualmente pertence à Fundação Jardim Majorelle, subsidiária da Fundação Pierre Bergé – Yves Saint Laurent. Para ver horários e preços, clique aqui.

2015-06-30 22.52.236. Montanhas Atlas, Ait-Ben-Haddou e Ouarzazate: locais lindos e cenários de filmes como Gladiador, Indiana Jones, Game of Thrones. E ficam no caminho para quem deseja fazer um tour ao Deserto do Saara. É um passeio bem longo e várias horas de estrada (4 horas só de ida). Sugiro fazer com um guia particular (130 euros por casal), e caso fique alguns dias em Marrakesh. Principalmente se quiser passar uma noite no deserto. Maaaaaaaaaas chegamos no meio do caminho e tivemos que voltar. É que eu (Cristiano) sofro muito com o combo “montanhas+altitude+várias curvas fechadas“. Conclusão: depois de 2 horas de estrada e duas paradas para vomitar, resolvemos voltar para o hotel. E olha que tomei 2 Dramins, hein! Passei muito mal mesmo e só voltei ao normal depois de algumas horas dormindo no Riad. Se você também não se dá bem com esse combo, não vá! A sorte é que estávamos numa van com motorista particular. Se fosse naquelas excursões cheias de gente, eu tava muito lascado hehehe. Então, essa parte da viagem ficou só nas fotos pela internet mesmo, infelizmente.

7. La Mamounia: é um hotel 5 estrelas bonitaço que vale a pena visitar. Fomos sem reserva mesmo na hora do almoço mas comemos apenas um sanduíche em um dos restaurantes do hotel, o L’Italien. Até porque tudo é bem carinho. Antes disso passeamos por todo o hotel que é fantástico. Até os banheiros são incríveis. Lembrete: não é permitido entrar com mochilas. Elas ficam na entrada do hotel e você fica com um bilhetinho para retirá-la na saída.

Sugestões de Restaurantes:

2015-06-30 22.38.521. Dar Essalam: excelente restaurante de comida típica marroquina. Funciona também como Riad e tem quartos muito bons. No almoço, você pode optar pelo Menu Buffet (250 dirhams por pessoa), que vem com uns 8 pratos ou pedir à la carte, como fizemos. Comemos um Tajine de Carne (carne e legumes cozidos com um tempero maravilhoso). Sem contar o ambiente que é super bem decorado e amplo. Nossa conta no almoço deu 130 dirhams, com bebidas e tudo. À noite, há show de dança e música no restaurante e parece se bem animado. Mas somente no esquema mais caro de menu fechado (250 dirhams por pessoa). Ah, foi no Dar Essalam que Alfred Hitchcock filmou “O Homem que Sabia Demais”, em 1956. Endereço: 170, Riad Zitoune El Kedim. Tel: +212 5244-43520. Abre diariamente de 12h30 às 14h30 e de 20h às 22h.

2. Barraca da Aicha, na Praça Jemma el-Fnaa: restaurantezinho de feira, bem clássico no centro da Jemaaa. Comemos um Cuscuz com Frango e pedimos um suco de laranja. Gostosinho para experimentar, mas nada demais.

3. Café Kessabine: simpático restaurante para comidinhas do dia a dia na ponta da Jemma el-Fnaa, na entrada do Souk Kessabine. Bom para tomar um chá, comer um sanduíche ou refeições rápidas. Tem um terraço com vista para a Praça e atendimento muito bom. Endereço: 77, Souk Kessabine – Jemaa el-Fnaa. Tel: +212 65293796.

2015-06-25 19.53.564. Nomad: excelente restaurante de cozinha contemporânea. Ótima indicação do nosso amigo João Pastore. Fazer reserva antecipada. Dica: reserve para 19h ou 19h30 e jante vendo o pôr-do-sol. Endereço: 1, Derb Aarjan. Marrakesh Medina. Tel: +212 524381609. E-mail: info@nomadmarrakech.com.

5. Dar Yacout: simplesmente sensacional. Só funciona no jantar e apenas com reservas (pelo site ou por telefone). Isso é porque há uma recepção antes no terraço, com drinks e músicos locais. Depois disso nos levaram até nossa mesa. O lugar é lindaço e o serviço excelente. É caro mas vale muito a pena. 700 dirhams por pessoa (65 euros), com tudo incluso: bebidas, vários pratos e sobremesa. Saímos de lá quase passando mal de tanto comer hehehehe. Primeiro servem várias entradinhas, depois chega um frango delicioso, seguido de um cuscuz e tajine de carne. A sobremesa é uma deliciosa massa folhada bem fininha com uma espécie de leite condensado e amêndoas. E ainda tem o chá de menta para finalizar. Tudo em porções gigantes! Dica: vá de táxi e já combine a volta com o mesmo taxista. Ou pegue o cartão dele e entregue ao garçom. Eles ligam antes e avisam quando o taxista já está na porta. Ah, e quando for reservar peça uma mesa ao lado da piscina. Clique aqui para saber o endereço, telefone e e-mail.
2015-06-30 22.58.10

Onde nos hospedamos

Riad Balkisse: é um Riad pequeno, bem simples. Escolhemos esse porque foi bem em conta pra gente, R$ 105 a diária por casal, com café da manhã incluso (super simples também). Bem barato, né? Se você quer economizar, acho uma boa. Mas não ficaríamos nele novamente. Dá para investir um pouquinho mais e pegar um Riad melhor. Mas pelo menos a localização dele era excelente, sem ter que pegar tantas ruelas no labirinto da Medina, e a 2 minutos caminhando da Praça Jemma el-Fnaa.

2015-06-30 22.53.55Pois é, Marrakesh foi uma experiência inesquecível. De lá pegamos o nosso trem e partimos para Casablanca, Fés e Tânger. Nos vemos no próximo post sobre essas cidades então. Grande abraço!